Eles até gostam de Jesus mas da igreja, nem tanto.


Estive lendo alguns artigos na net e me deparei com um artigo que dizia em inglês: “They like Jesus but not the church!”, ou, em português, “Eles até gostam de Jesus mas da igreja nem tanto!” , incrivel e penso que deveriamos nos preocupar com isto pois é muito sério.

Quando ainda morava em Miami Beach eu trabalhei com uma moça, muito bacana por sinal de nome Cristina e ela tinha vários funcionários entre homens e mulheres.

O trabalho era muito simples, assim que terminavam a obra as construtora nos contratava para dar os últimos retoques antes de entregar para o futuro dono, tirar um resto de massa que ficou no chão, limpar os vidros, tirar um restinho de tinta que ficou no granito do piso, trabalho facil e tranquilo… mas voltando ao tema deste artigo, um certo dia Cristina chegou perto de mim e me fez uma pergunta que originou de uma afirmativa de uma irmã parte da Assembléia de Deus que trabalhava conosco e nunca disse se deu nem ao luxo de ser simpática com a gente e a pergunta foi a seguinte: “Carlos a fulana que é crente me disse que se eu morrer hoje eu vou para o inferno ! é verdade ? ” … E eu tive que pensar para responder, pois não creio que a “irmã” agiu de forma sábia, mas ela usou o que ela conhecia, pois era parte de um seguimento denominacional onde na maioria das vezes aplicam o medo como forma de manipulação afim de constranger as pessoas a se tornarem santas entre outras coisas, bem diferente do que a Bíblia diz, “o Amor de cristo nos constrange! ” II Corintios 5:14.

Fazemos o que fazemos por amor a Jesus e não por medo do inferno ou do diabo.

A resposta que dei a ela aprendi lendo e meditando na Bíblia, que Jesus odeia o pecado mas ama o pecador e que Deus tinha enviado uma carta de amor para ela e tudo ia depender dela aceitar ou rejeitar o autor da carta e seu amor. Foi interessante a reação dela porque ela me disse que nunca havia escutado daquela forma.

Outro caso aconteceu já em Broward quando eu trabalhava vendendo reparos para telhado que tinham sido atigindo pelo furacão Wilma no final de 2005. Um determinado dia fui dar uma assistência a um cliente (Follow-up) e ver como andava as obras de reparo de um telhado em Coconut Creek e de repente um dos rapazes que estava trabalhando me disse: “Veja só Rizzon, (assim me chamavam por lá) o fulano me disse que eu tenho que ser é de Jesus”. Ai, eu curioso para ver onde ia dar aquilo, perguntei: “E o que você respondeu Toninho”? Ah Rizzon, eu perguntei a ele: “E você acha que eu sou de quem? Do diabo ?”.

É incrivel a capacidade que temos de excluir as pessoas e fico pensando como Deus vê isto tudo. As duas pessoas disseram verdades, tanto para Cristina como para o Toninho mas a abordagem foi totalmente errada, apresentaram primeiro a condenação e nem sequer falaram do amor de Deus para com aquelas pessoas.

Muitas igrejas tem se distanciado da cruz de Cristo e muitas vezes criam padrões de comportamento e formatos e querem que as pessoas se encaixem dentro deles. Lembro-me de um fato interessante que me contaram, que uma igreja da área convidou um rapaz para tocar para eles, vamos colocar deste jeito, como convite, porque existe muita resistência com a palavra “contratar”, principalmente em se tratando de músicos já que quando se trata de pastores não tem problema, e esta pessoa que foi “convidada” usa um cavanhaque não muito cheio, o normal para um rapaz de 20 e poucos anos, fato é que o irmão que o convidou disse a ele que ele era muito bem vindo mas para tocar na tal igreja ele teria que tirar o cavanhaque, incrível como em pleno século 21 ainda tem pessoas usando artifícios de manipulação tão baratos como este! O rapaz recusou o convite claro e nem ficou para ouvir o resto da conversa que poderia ter rendido a ele uma meia dúzia de “madições gospel” (rsrsrs), isto mesmo, existem pastores que amaldiçoam os que saem de sua igreja, ou os que não cedem aos seus caprichos doentios e o pior de tudo, em nome de Deus. O rapaz recusou a proposta de tocar para eles, ainda que o valor da “oferta” era boa.

Um outro fato curioso ocorreu comigo, minha esposa gosta de ir nessas reuniões de oração e consagrações e numa destas idas ela me disse que a irmã que dirigia o culto tinha aberto a oportunidade para quem quisesse pregar. Eu, como sou ainda um estudante de teológia, obviamente, estou sempre afim de compartilhar algumas coisas que o Senhor tem nos transmitido, o que faz com que algumas destas coisas acabem sofrendo uma metamorfose e virando artigo. A irmã me perguntou se eu estaria interessado, e eu disse a ela que não aceitava, que mesmo apesar de eu estar querendo muito exercitar o que estava aprendendo não iria, porque a reunião de oração era parte de uma denominação muito exclusivista, incrível pensar nisto como sendo algo evangélico mas é verdade, então disse a ela que os irmãos de dita denominação já tinham formatado na cabeça deles o estilo de mensagems e de pregador que eles estaria dispostos a ouvir e até a aceitar como vindo de Deus.

Não é segredo para ninguém a forma como acontece em cultos, pregações e vigílias por ai como falar em linguas, sapatear, rodopiar; uma lista interminavel de esquisitices, de “manias” atribuídas ao agir de Deus que faz com que este determinado grupo “formatem” ou tentem formatar o mover de Deus.

Esta questão de sentimento de exclusão e antipatia a que são tomados os não crentes com relação aos evangélicos não é privilégio só dos não crentes, muitas vezes a “igreja” não aceita a própria igreja! Exatamente, existem certos padrões de comportamento que excluem as próprias pessoas que estão ali.

Sem dúvida o falar em linguas é um dos dons mais requisitados, tanto para ser aceito por eles como para indicar uma “aprovação de Deus” para com a pessoa. Tenho um amigo que foi líder de jovens de uma igreja por um periodo de um ano e por ele ter vindo de uma igreja dita tradicional lá no Brasil ele era sempre abordado por alguns irmãos todas as vezes que tinha “um culto de fogo” na igreja dele, e os irmão insistiam com ele que ele deveria buscar o “batismo no Espirito Santo” e o falar em línguas, evidentemente, o rapaz muito cordato e respeitoso buscou, não o “famigerado” batismo no Espirito Santo, mas ele queria uma experiência mais profunda com Deus, apesar de não crer da mesma forma que eles criam. Passados uns meses ele recebeu a experiência que tanto buscava inclusive o falar em linguas e segundo me contou foi muito bom e se sentiu revigorado, mas o depois é que foi interessante, os irmãos vinham cumprimentá-lo por ter recebido o “dom” de Deus e uns ainda cometiam o descalabro de dizer: “Agora você vai ver o seu ministério deslanchar !”.

Meus irmãos se esta pergunta tivesse sido dirigida a minha pessoa o incauto irmão ouviria uma resposta que o colocaria para pensar, sem ofendê-lo é claro.

Diante destes fatos não me estranha o povo não crente não gostar da “igreja”. Já por muitos anos desde a institucionalização do Cristianismo como religião oficial do império por Constantino a “igreja” tem saido dos eixos e mesclado com coisas indevidas e muitas hoje não sabem sequer o seu papel no mundo.

Os reflexos da institucionalização do Cristianismo como religião oficial do império fez surgir problemas sérios no meio cristão, pessoas começaram a buscar a serem cristão por status, a qualidade da fé decaiu, a experiência salvífica deu lugar para a conveniência, faltava sinceridade nas conversões e este quadro se perpetua até os nossos dias de forma desastrosa. Quando residi nos Estados Unidos, aprendi muitas coisas boas inclusive a entender o reino de Deus e buscar ser parte da “Ekklesia”, ser a igreja, não simplesmente ir á igreja, porque em um determinado tempo entrei numa “crise cristã” por ver o rumo incerto de muitos ministérios aqui nos EUA, então eu disse à minha esposa:

–  “Vamos cuidar da nossa vida e quando der vamos à igreja!”. Esta foi a mais desastrosa e bendita frase que poderia ter dito, desastrosa porque nunca devemos dizer tal coisa, isto é alienação, uma das forças que são usadas pelo diabo para nos tirar do curso que Deus traçou para nós e bendita porque pude ouvir de Deus e entender que o reino de Deus esta em toda parte, e “buscar o reino em primeiro lugar” significa servir aos membros do corpo de Cristo que se reunem nesta ou naquela “igreja”, e desde então o meu foco mudou, o Reino está sempre em primeiro lugar na minha vida, mesmo que o local esteja fora do curso.

Se você se encaixa neste artigo e se desiludiu com a “igreja” saiba que não é o que fazem com você que determina sua vida, mas o que você faz com o que fizeram com você.
Busque a Deus, busque um direcionamento da parte de Deus para saber onde você deve congregar, busque o Reino de Deus e sua justiça e as demais coisas com certeza serão acrescentadas.(Mateus 6:33)

Carlos Rizzon

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2 Comments

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2 responses to “Eles até gostam de Jesus mas da igreja, nem tanto.

  1. Reinaldo

    Essa é a idéia do cristão para os dias de hoje: Questionar e confrontar, com a Palavra de Deus, tudo o que lhe for dito ou professado. Só através da renovação de nossas mentes é que poderemos nos transformar e transformar o meio em que vivemos.

  2. «73n £1Øn»

    Muito lúcido, Rizzon. A Cristandade ainda não entendeu que servimos a Jesus e a Igreja, não apenas a Jesus. As igrejas se tornaram monopólios culturais e comportamentais. Fico imaginando se fizessem um desenho tipo aquele do Pateta se tornando motorista, mas ao invés do carro, ele entrasse na igreja e fosse para o púlpito. Distingue-se nesta resposta Igreja e igreja. Deus nos ajude.

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